“Não apenas o chamado “pai da economia moderna”, Adam Smith, foi professor de Filosofia Moral na Universidade de Glasgow (admitidamente, uma cidade bastante pragmática), mas a disciplina da economia foi por muito tempo vista como algo como um ramo da ética” — Economista/Filósofo Indiano Amartya Sen1
Ressaltamos, novamente, que, por enquanto, o objetivo das nossas postagens não é avaliar o mérito das ideias e proposições de Adam Smith. Mas sim expor nossa opinião sobre os seus verdadeiros significados. Somente depois disso examinaremos de que forma a sua obra pode ser útil para o debate sobre importantes temas contemporâneos, como têm argumentado vários estudiosos.
Sobre a Originalidade da Obra de Adam Smith
A filosofia moral de Adam Smith, exposta no livro A Teoria dos Sentimentos Morais, tem como referência inicial a ética das virtudes dos grandes filósofos gregos, especialmente Sócrates, Platão, Aristóteles e os estoicos. Dentre esses filósofos, a maior influência recebida por Smith vem dos primeiros estoicos – o fundador da filosofia estoica, Zeno, e seu principal discípulo contemporâneo, Cleanthes.
No que concerne às discordâncias de Smith em relação a autores que ele certamente estudou em profundidade, destacam-se as que ele apresentou em relação a alguns aspectos das obras de Thomas Hobbes e Bernard Mandeville.
Outra referência importante para Adam Smith é a de Francis Hutcheson, que foi seu professor de filosofia moral na Universidade de Glasgow. Essa influência é maior até do que a que ele recebeu de David Hume, que viria a se tornar um dos seus amigos mais íntimos.
Porém, uma das mais falsas avaliações sobre o mérito da obra de Adam Smith é a que argumenta que ela seria pouco mais que uma cópia de partes dos trabalhos desses seus influenciadores. Na verdade, conforme demonstramos em postagens anteriores, Adam Smith discordou parcialmente de todos eles. E essas discordâncias e visões alternativas são de enorme importância para a correta compreensão da sua obra, tanto ética quanto econômica. Mais que isso, elas são importantes também para que se possa identificar as conexões entre a ética e a teoria econômica, na sua obra. Ou seja, as conexões (e completa ausência de contradições) entre os livros A Teoria dos Sentimentos Morais e A Riqueza das Nações e os fundamentos morais desse segundo livro.
As Duas Obras Publicadas em Vida
Todas essas principais concordâncias e divergências de Adam Smith em relação a esses filósofos já foram descritas em postagens anteriores. Portanto, vamos agora adentrar ao tema das conexões entre os livros A Teoria dos Sentimentos Morais e A Riqueza das Nações, nos atendo apenas à versão final do pensamento ético do próprio Smith.
Ocorre que, segundo um entendimento inteiramente falso, mas ainda não muito raro na atualidade, dezessete anos depois da publicação do livro sobre Ética, Adam Smith teria publicado um segundo livro (em 1776), no qual, não somente desconsideraria o tema da Ética, mas defenderia entusiasticamente o egoísmo. E procuraria justificar, não somente o egoísmo legítimo (“self-love”, “self-interest”, amor-próprio), mas também o egoísmo danoso e predatório (“selfishness”).
Toda a obra de Adam Smith, publicada em vida, faz parte da Filosofia Moral. Conforme demonstramos em postagens anteriores, na época e ambiente em que ele viveu a Filosofia Moral abrangia os temas da Ética e Jurisprudência (além da Religião Natural). A Jurisprudência, por sua vez, abrangia os temas da Justiça e Economia Política. Assim, tanto o tema da Ética, quanto da Economia Política, faziam parte da Filosofia Moral. E a consideração do egoísmo danoso como algo moralmente inaceitável é uma das mais básicas de qualquer Filosofia Moral.
O tema da Ética foi objeto de análise do livro A Teoria dos Sentimentos Morais. E Smith pretendia escrever uma obra sobre Jurisprudência. Mas, sobre esse subtema da Filosofia Moral, só conseguiu concluir e publicar em vida a parte que dizia respeito à Economia Política. Essa parte, concluída e publicada em vida, é o livro A Riqueza das Nações.
Ocorre que parte do livro A Teoria dos Sentimentos Morais aborda temas sobre como as coisas deveriam ser, sem levar em conta como elas têm sido, ou poderão vir a ser, na prática. Foi essa a atitude de Adam Smith em relação ao Observador Imparcial. Como foi, também, por exemplo, a atitude de Immanuel Kant em relação ao “Imperativo Categórico”. Portanto, será útil observar de que forma Adam Smith lidou com essa situação de uma maneira diferente da de Kant.
Como o Livro A Riqueza das Nações Pode Fazer Parte da Filosofia Moral de Adam Smith?
Segundo Kant as pessoas deveriam agir, sempre, motivadas pelo dever moral, que é percebido pela razão, não importando quão difícil isso venha a ser, na prática. Nesse sentido, por exemplo, a mentira nunca pode ser justificada, em nenhuma situação contingente. Mesmo, por exemplo, se tratasse de alguém a quem um assassino pedisse informações sobre a localização de um inocente, a quem ele busca para matar. Kant não admitia que nenhum grau de dificuldade de adoção na prática pudesse ser uma justificativa válida para qualquer afastamento do imperativo ético, que ele chamou de “Imperativo Categórico”.
Já para Adam Smith, segundo a Ética que ele aborda no livro A Teoria dos Sentimentos Morais, as pessoas deveriam agir, em todas as situações contingentes da vida, auscultando um sentimento interior que pode colocá-las em contato com a sua consciência profunda – o seu “Observador Imparcial”. Isso lhes proveria a capacidade de viverem de acordo com os desígnios de uma ética superior, autônoma – a única fonte de motivação moral capaz de atender a todas as numerosíssimas situações contingentes da vida E o Observador Imparcial (na sua hierarquia mais elevada), recomenda a Benevolência, o Amor, o serviço desinteressado a outrem, como a maior das virtudes. Vejamos isso com as palavras do próprio Adam Smith:
“É por isso é que sentir muito pelos outros e pouco por nós mesmos, conter nosso egoísmo e alimentar nossos afetos benevolentes, constitui a perfeição da natureza humana; que só pode produzir na humanidade aquela harmonia de sentimentos que consistem em toda a graça e propriedade”.2 “É também de considerável importância, que o mal que é feito, mesmo sem intenção, deveria ser considerado como um dano para quem o pratica, e para a vítima. O homem é, portanto, ensinado a reverenciar a felicidade de seus irmãos, a tremer diante do pensamento de fazer qualquer coisa que possa machucá-los, mesmo sem saber…”3
Mas, tal como Kant, Adam Smith reconhece que, na prática, a maioria de nós, seres humanos, não age inspirado e orientado pelo Observador Imparcial:
“… o homem interior parece… perplexo e confundido pela veemência e clamor do homem externo. A violência e sonoridade com a qual a culpa é algumas vezes derramada sobre nós, parece estupidificar e neutralizar o nosso senso natural de reconhecimento do merecimento de culpa ou de louvor. E os julgamentos do homem interior, embora não, talvez, inteiramente alterados ou pervertidos, são, contudo, de tal maneira chacoalhados na firmeza das suas decisões, que o seu papel natural de assegurar a tranquilidade da mente é frequentemente, em grande medida, destruído”.4
E ele, então, reconhece, explicitamente, que, na prática, a maioria das nossas atitudes é motivada pelo egoísmo. E não somente o egoísmo legítimo, o “self-love”, mas, também, o egoísmo predatório, o “selfishness”. E, na prática, esse egoísmo danoso é exercido, principalmente, pelos poderosos e ricos:
“Tudo para nós, e nada para os outros — essa parece ter sido, em todas as épocas do mundo, a máxima vil dos senhores da humanidade”.5 “A violência e a injustiça dos governantes da humanidade são um mal antigo, para o qual, receio, a natureza dos assuntos humanos dificilmente pode admitir um remédio”.6
Mas a atitude de Smith diante dessa situação é diferente da de Kant. E é aí que surge a ponte moral entre os livros A Teoria dos Sentimentos Morais e A Riqueza das Nações.
A motivação de Adam Smith para escrever o livro A Riqueza das Nações foi desafiar a preconceituosa (e mesmo imoral) mentalidade reinante na sua época contra os pobres e ensinar qual seria a melhor forma prática de superar a pobreza e a miséria dos povos, de todas as nações. Essa motivação, em si mesma, já não deveria ser considerada um dos fundamentos morais para esse livro?
Como Conquistar o Melhor Possível – Aqui e Agora – Sem Esquecer a Utopia Esperançosamente Realizável
Embora reconhecendo que, na prática, a maioria de nós, seres humanos, não adotamos os valores da filosofia moral, Adam Smith afirma que, mesmo assim, há importantes avanços civilizatórios ao alcance da humanidade:
“A sociedade… não pode subsistir entre aqueles que estão sempre prontos para ferir uns aos outros. Quando essa lesão começa, no momento em que ocorrem ressentimentos e animosidades mútuas, todas as boas relações se desfazem, e os diferentes membros que a compunham são, por assim dizer, dissipados e espalhados pela violência e oposição de suas paixões discordantes. Se existe alguma sociedade entre ladrões e assassinos, eles devem, pelo menos, segundo a observação banal, abster-se de roubar e assassinar uns aos outros. A beneficência, portanto, é menos essencial para a existência da sociedade do que a justiça. A sociedade pode subsistir, embora não no estado mais confortável, sem beneficência; mas a prevalência da injustiça deve destrui-la completamente”.7
Ou seja, filosoficamente, a Benevolência (da qual resulta a Beneficência), é a mais importante das virtudes. Mas já que não é ela a atitude predominante na prática, mas sim o egoísmo, o que se torna mais importante, na prática, é o recurso disponível para combater o egoísmo: qual seja, a Justiça.
A Existência do Egoísmo Predatório Demanda a Imposição da Justiça
A Justiça a que Smith se refere aqui é a Justiça Comutativa, que se destina a assegurar, na prática, que os direitos legítimos das pessoas não sejam violados pela ação predatória de outrem. Está implícito nesse raciocínio de Adam Smith que essa Justiça deve ser imposta, e aqueles que as desrespeitam devem ser punidos, de acordo com a gravidade das suas agressões. Isso exige, inclusive, uma lei penal que enumere todos os tipos de crimes. Pois, não pode haver crime sujeito a condenação para atos que não estejam previstos em lei.
Adam Smith se empenha em demonstrar, diferentemente de Kant, que a superação da pobreza e da miséria e a subsistência da sociedade podem ser conquistadas por uma conciliação entre o ideal filosófico e a possibilidade prática mundana:
“… embora a assistência necessária não deva ser concedida por motivos tão generosos e desinteressados, embora entre os diferentes membros da sociedade não deva haver amor e afeto mútuos, a sociedade, embora menos feliz e agradável, não será necessariamente dissolvida. A sociedade pode subsistir entre diferentes homens, como entre diferentes mercadores, a partir de um senso de utilidade, sem qualquer amor ou afeto mútuos; e embora nenhum homem nele deva qualquer obrigação, ou se veja obrigado em gratidão a qualquer outro, ainda pode ser sustentado por uma troca mercenária de bons ofícios, conforme uma avaliação acordada”.8
Os Filósofos Mundanos
Certamente, esse foi o motivo pelo qual Adam Smith, Marx e outros foram incluídos entre os filósofos a quem Robert Heilbroner chamou de “Filósofos Mundanos”. E dentre esses, Heilbroner não incluiu Immanuel Kant.9
Os “filósofos mundanos” se interessam pelas coisas da condição humana como elas deveriam ser, tendo em vista os mais refinados valores morais. Mas também se interessam em contribuir reconhecendo as limitações impostas pelas condições práticas vigentes, sem que isso signifique que passaram a desconsiderar inteiramente a importância crucial da moralidade.
Nesse tipo de situação, qual deve ser a atitude realista, adequada, das pessoas que se empenham, sem causar danos a outrem, para conquistar o melhor, para si, para sua família, para seus entes queridos? Smith a descreve com as seguintes palavras (que têm sido erroneamente interpretadas como uma defesa do egoísmo, no livro A Riqueza das Nações):
“Não é da benevolência do açougueiro, do cervejeiro, ou do padeiro, que esperamos o nosso jantar, mas da dedicação deles aos seus próprios interesses. Nós apelamos, não para a humanidade deles, mas para o seu interesse pessoal, e nunca falamos para eles sobre as nossas necessidades, mas das vantagens deles. Ninguém, exceto um pedinte, faz a escolha de depender principalmente da benevolência, e mesmo um pedinte não depende dela inteiramente”.10
Há, ainda, pelo menos mais um argumento importante de Adam Smith para chegar a um “segundo melhor”, depois de concluir que, na prática, a maioria dos seres humanos é praticante do egoísmo. Esse decorre do reconhecimento da diferença, que já descrevemos anteriormente, entre o egoísmo predatório (“selfishness) e o egoísmo moralmente legítimo (o “self-love”).
Segundo Smith, o amor por si mesmo, o legítimo interesse pessoal de cada indivíduo de melhorar de vida em todos os seus aspectos, é algo facilmente verificável, na prática. E pode resultar, também, em benefícios para toda a sociedade. Essa afirmação aparece já no livro A Teoria dos Sentimentos Morais. Ou seja, para Adam Smith, diferentemente do que considerava Hutcheson, o egoísmo legítimo (“self-love”) também pode ser uma virtude. Embora não tão elevada quanto a benevolência.
Essa atitude conciliatória de Adam Smith de forma alguma representa uma decisão de separar a Economia Política da Ética. E é já no próprio livro A Teoria dos Sentimentos Morais que ele se refere a princípios morais que precisam ser tomados em conta pelos agentes econômicos, mesmo na prática. Portanto, é o livro A Teoria dos Sentimentos Morais que contém, também, parte dos valores morais que precisam ser reconhecidos, no livro A Riqueza das Nações.
Quem leu apenas o livro sobre Economia Política – ou não compreendeu a estreita relação entre os dois livros – terá dificuldades para realizar esse entendimento. Por isso, na próxima postagem iremos descrever os principais fundamentos morais do livro de Economia Política de Adam Smith que se encontram no livro A Teoria dos Sentimentos Morais. É isso que faz a ponte entre os dois livros e torna evidente a conexão e coerência entre eles.
Adam Smith como Fundador da Ciência Econômica
É necessário considerar, também, que Adam Smith viveu no século XVIII, no auge do Iluminismo europeu, quando se consolidava o surgimento das ciências positivas. Ciências positivas essas que passaram a se interessar em examinar os fenômenos como eles são, e não como deveriam ser. Portanto, segundo um entendimento bastante comum ainda na atualidade, Adam Smith teria feito jus ao título de “pai da ciência econômica”, exatamente por ter sido pioneiro na adoção desse critério no campo da Economia, ao escrever o livro.
Ou seja, em A Teoria dos Sentimentos Morais, obra dedicada à ética, Adam Smith teria analisado as coisas como deveriam ser. Já em A Riqueza das Nações, teria examinado as atitudes dos agentes econômicos tais como elas efetivamente se manifestam.
Mais adiante demonstraremos que essa consideração tem fundamento e é importante. Mas ela não serve de justificativa para o entendimento da que Adam Smith deixou de levar em conta a moralidade, no livro A Riqueza das Nações.
Comentário Final
Suponha que Adam Smith tivesse escrito um livro de aproximadamente 1.000 páginas visando demonstrar de que forma as nações poderiam reduzir drasticamente a pobreza e a miséria. E que a sua teoria tivesse se baseado na hipótese de que o amor, a beneficência, o serviço desinteressado a outrem, tão importante na sua filosofia moral, é a prática e motivação da maioria de nós, seres humanos. Sendo o egoísmo predatório uma exceção, posta em prática apenas por uma minoria da humanidade. A quanta credibilidade faria jus uma teoria como essa, seja entre pessoas de sofisticada instrução, ou mesmo entre pessoas apenas dotadas de bom senso e capacidade de testemunhar as atitudes dominantes da maioria dos membros das sociedades?
O que se faz necessário, aqui, é ter a clara percepção da diferença entre: 1. prescrever o egoísmo predatório; 2. simplesmente reconhecer que ele existe, em larga escala. E propor sugestões sobre a melhor forma de lidar com isso, tendo em conta os legítimos interesses individuais e coletivos – especialmente dos mais pobres e menos poderosos. Obviamente, sem perder de vista, que o processo civilizatório deveria evoluir até estágios mais ambiciosos de civilidade e humanismo, além de sistema de relações sociais crucialmente dependente da justiça penal – do prêmio e castigo.
Nas próximas postagens ainda nos dedicaremos a apresentar evidências das conexões entre os livros A Teoria dos Sentimentos Morais e A Riqueza das Nações, antes de passarmos a nos referir exclusivamente a esse último. Isso é importante para a demonstração de que o livro de Adam Smith sobre Economia Política jamais deveria ser considerado uma obra amoral.
REFERÊNCIAS
1. Sen, Amartya. On Ethics and Economics. Oxford: Blackwell Publishers Ltd., 1998, 2;
2. Smith, Adam. The Theory of Moral Sentiments. Glasgow Edition, I.i.5.5;
3. Smith, Adam. The Theory of Moral Sentiments. Glasgow Edition, II.iii.3.4;
4. Smith, Adam. The Theory of Moral Sentiments. Glasgow Edition, III.2.32;
5. Smith, Adam. An Inquiry into the Nature and Causes of the Wealth of Nations. Glasgow Edition, vol. I, Book III, chap. iv, 418;
6. Smith, Adam. An Inquiry into the Nature and Causes of the Wealth of Nations. Glasgow Edition, vol. I, Book IV, chap. iii.c, 493;
7. Smith, Adam. The Theory of Moral Sentiments. Glasgow Edition, II.ii.3.3;
8. Smith, Adam. The Theory of Moral Sentiments. Glasgow Edition, II.ii.3.2;
9. Heilbroner, Robert L. The Worldly Philosophers. 7th ed. New York: Touchstone Books;
10. Smith, Adam. An Inquiry into the Nature and Causes of the Wealth of Nations. Glasgow Edition, vol. I, Book I, chap. ii, 27.
Periodicamente, poderemos realizar reuniões online dedicadas exclusivamente a esclarecer dúvidas e compartilhar ideias sobre o conteúdo até então já disponibilizado neste blog.
Para mais informações entre em contato com a Organizadora do Autor:
Jacqueline Lima
O ESPAÇO DE CRIAÇÃO
E-mail: oespacodecriacao@gmail.com
COMUNICADO:
O livro “Uma Investigação sobre a Natureza e as Causas da Riqueza das Nações”, mais conhecido resumidamente como “A Riqueza das Nações”, é a obra mais famosa de Adam Smith. Composta por 5 livros (ou partes), foi publicado pela primeira vez em Londres, em março de 1776, pela casa editorial de William Strahan e Thomas Caldell. Uma segunda edição foi lançada em fevereiro de 1778, seguida por mais três: em 1784, 1786 e 1790, sendo esta a última edição feita em vida pelo autor.
O livro é amplamente reconhecido como um dos mais importantes da história. Ele aparece com frequência em listas sérias de obras mais influentes do pensamento ocidental, como a Modern Library, Great Books ofthe Western World e a Harvard Classics.
O estudo “Adam Smith Across Nations”, publicado pela Oxford University Press, é hoje a fonte mais sólida sobre a circulação internacional de A Riqueza das Nações. Foram produzidas centenas de edições e traduções do livro após a morte de Adam Smith, em muitos países e em pelo menos 18 idiomas. O livro é considerado o mais traduzido da história da economia.
Estamos agora nos primeiros dias do ano 2026. E 2026 – 1776 = 250. Ou seja, este ano marca o aniversário de 250 anos da publicação do livro A Riqueza das Nações.
Eventos de celebração desse aniversário ocorrerão ao longo do corrente ano, em vários países.
Quanto a nós, levaremos em conta uma constatação de amplo reconhecimento nas últimas décadas: a de que a leitura desse livro de forma separada foi a principal causa de numerosas controvérsias e mal-entendidos a seu respeito, e do pensamento do seu autor. Assim, a partir desta postagem, passaremos a abordar as proposições contidas no livro não de forma separada, mas, sempre que possível, relacionando-as com a unidade da obra do filósofo moral Adam Smith.



